Cupuaçu faz sucesso internacional como matéria-prima adquirida no Pará em produto contra os rigores do inverno

O cupuaçu também é excelente na produção de suco e delícias gastronômicas, como o petit gateau

O cupuaçu também é excelente na produção de suco e delícias gastronômicas, como o petit gateau

O Amazonas dá os primeiros passos no desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (C&T) de produtos regionais, principalmente com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), enquanto o Pará e outros Estados brasileiros, principalmente São Paulo, já navegam nas águas que mexem com a economia, a indústria e o comércio. O Município de Ananindeua (PA), por exemplo, sedia uma das unidades da indústria paulista Beraca Sabará Químicos e Ingredientes S.A., líder global no fornecimento de insumos amazônicos para a indústria.

Produtos que tenham em sua formulação a manteiga de cupuaçu fazem sucesso no inverno do Sul e Sudeste brasileiros e até nos EUA e Europa, atuando contra o ressecamento, sensação de aspereza e descamação da pele. A Beraca produz e fornece essa manteiga.

A Pronatus do Amazonas, pioneira na transformação dos recursos da biodiversidade do Estado em produtos cosméticos e alimentos, chegou a produzir um hidratante de cupuaçu. Levado para o padock da Fórmula 1, quando o amazonense Antônio Pizzonia atuava na categoria, o produto se transformou num sucesso instantâneo entre jornalistas e mecânicos. A empresa, que já teve uma participação de mídia expressiva, está retraída no momento e seus produtos desapareceram das prateleiras das drogarias.

Ananindeua fica próxima à capital paraense, Belém, e é a segunda cidade mais populosa do Estado, com 471.980 habitantes (Santarém tem 294.580), segundo o IBGE. A Beraca tem unidades, além da sediada no Município, em Anália Franco (capital paulista), Santa Bárbara d’Oeste (interior de São Paulo), Itapissuma (Pernambuco), Anápolis (Goiás), Pacatuba (Ceará), França e Nova York (Estados Unidos).

Unidade da Beraca em Ananindeua (PA)

Unidade da Beraca em Ananindeua (PA)

A empresa, genuinamente brasileira e com 55 anos de existência, trabalha no desenvolvimento de tecnologias, soluções e matérias-primas de alta performance para os mercados de tratamento de águas, cosméticos, nutrição animal e para a indústria de alimentos e bebidas. Ela surgiu de uma empresa de cloro, herdada pelos irmãos Marco Antônio e Ulisses Sabará, e o nome Beraca é inspirado no local onde, segundo relato bíblico, o rei israelita Josafá derrotou os amonitas e moabitas (2 Cr 20.26), entre Belém e Hebrom.

Todas as comunidades fornecedoras de insumos da Beraca ficam localizadas na Amazônia. Essas matérias-primas são distribuídas para fabricantes de cosméticos nacionais e internacionais. O Governo Federal, através da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), e o Governo do Pará apoiam com incentivos fiscais.

A empresa possui, na Região Norte, uma parceria direta com 1,6 mil pessoas, o que representa cerca de 800 famílias, organizadas em 101 núcleos comunitários em cinco Estados. Ela auxilia os moradores no processo de organização, por meio de treinamentos e capacitações sobre o manejo sustentável de matérias-primas e ampliação das oportunidades através de inserção no mercado.

Os frutos da Amazônia estão cada vez mais requisitados pela indústria

Os frutos da Amazônia estão cada vez mais requisitados pela indústria

 

Entre as ações promovidas pela companhia está o Programa de Valorização da Biodiversidade, criado em 2.000, com o objetivo de realizar um acompanhamento ao longo de toda a cadeia de origem e do processamento das matérias-primas provenientes da biodiversidade brasileira, especificamente da Região Amazônica. A ação é focada em comunidades locais e contribui para melhorar o desenvolvimento regional e preservar a maior floresta tropical do mundo.

Cadeia Produtiva do açaí.

A Beraca atua em toda a cadeia produtiva

 

Polêmica

“O cupuaçu, típico da Amazônia, tem o poder de promover hidratação duradoura devido à alta capacidade de hidratação. Além disso, seu uso auxilia na recuperação da elasticidade da pele”, segundo Alexandra Brandem, responsável por assuntos técnicos da Beraca.

Um projeto do então senador Arthur Virgílio, hoje prefeito de Manaus, transformou o cupuaçu em “fruta nacional” (Lei Nº 11.675/2008), no auge de uma polêmica com a empresa japonesa Asahi Foods, que chegou a registrar, para “uso exclusivo”, o nome cupuaçu. O registro foi cancelado na União Europeia, Japão e Estados Unidos, graças ao trabalho de ONGs brasileiras, da Câmara Federal e do Senado.

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