Em dezembro de 2005 (no dia do aniversário do então governador) o Governo do Amazonas entregou às oito escolas do Grupo Especial oito barracões ou galpões, em uma área contígua ao Sambódromo. Neles estão inclusas estruturas para a feitura dos carros alegóricos, bem como acomodações aos trabalhadores. Em 2008 tiveram que ser realizadas adaptações no local com o intuito de melhorar a logística para a segurança: saída de emergência etc.
Com isso, teoricamente, as verbas estatais diminuiriam (em valores reais) para as escolas de samba já que, agora, com galpões localizados a poucos metros do local do desfile, os gastos com transporte de alegorias pelas ruas de Manaus terminariam. Hoje, sabe-se que estes galpões não atendem por completo os anseios técnicos das agremiações, porque pequenos para o mega-trabalho dos carros alegóricos.
Em 2009 o Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (SEC), destinou R$ 156.000,00 (cento e cinquenta e seis mil reais) para cada escola de samba do Grupo Especial e a Prefeitura de Manaus, R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Segundo Luiz Gilberto, presidente da G.R.C.E.S. A Grande Família, as verbas teriam que ser bem maiores, visto que o Carnaval de Manaus é grandioso e merece sim mais verbas estatais. Como diz SALES (2008, p.30): “O amazonense faz um ótimo carnaval, com os poucos recursos disponíveis. Diz-se que quando há a aridez, há mais lutas por melhorias”.
Prejuízos para a Economia criativa
Em 2009 a G.R.E.S. Reino Unido da Liberdade gastou (investiu) R$ 700.000,00 em seu desfile e auferiu recursos totais (do estado, da prefeitura e de doações) na ordem de R$ 620.000,00, obtendo com isso um prejuízo de R$ 80.000,000, segundo o seu diretor financeiro, à época, João Mota. O mesmo fato ocorreu com a G.R.C.E.S. A Grande Família, que, segundo seu presidente, Luiz Gilberto, terminou o carnaval devendo R$ 200.000,000.
A Economia criativa no processo histórico das Escolas de Samba de Manaus vêm, ao longo dos tempos, sofrendo mudanças qualitativas. Já não se assiste mais a desfiles repetitivos e, excetuando-se uma ou outra base de carro alegórico, fincada de chassi igual ao ano anterior, os artistas têm um maior espaço para exprimirem suas ideias. Como se sabe, as alegorias e os adereços são fatores preponderantes para o sucesso de um desfile.
Essa criatividade também, é claro, é transportada às alas das escolas, ao samba de enredo, a evolução e à harmonia, que delimita os parâmetros no desfile, não deixando surgir “buracos” durante o evento e o samba de enredo cantado, se possível, em uníssono, pela maior parte dos seus integrantes.
Tendências
A tendência das escolas de samba de Manaus, mesmo com vários problemas) é a da profissionalização total. Já não cabe espaço ao romantismo amador de décadas passadas. O público, exigente, cobra dos artistas uma maior criatividade. Acostumou-se aos grandes eventos e ao show business, como é feito nos Bois de Parintins, transmitido em Canal de TV Aberta para todo o Brasil, desde 2008. Manaus hoje é uma das cidades mais promissoras para investimentos, segundo os economistas e empreendedores. Os exemplos estão às escâncaras, sem se precisar recorrer a estimativas. Os fatos falam por si.
Uma sugestão às escolas de samba seria a de se criar mais maneiras de se arrecadar dinheiro. Uma delas é a administração de carnês com pagamentos mensais pelos sócios e também a novos interessados no crescimento das agremiações. O retorno aos que estivessem “em dias” seria o sorteio de diversos bens de uso. A contratação de uma empresa de marketing e outra captadora de recursos também seria uma iniciativa viável às escolas de samba.
Urge que os recursos financeiros aumentem e, se é difícil, independer-se das verbas estatais, que as mesmas sejam utilizadas com maior criatividade por partes das agremiações. O trabalho com o Turismo também pode ser melhor direcionado, divulgando-se desde a casa do turista (em seu estado, ou país), imagens, sons e atrativos diferenciados de um “Carnaval na Amazônia”. Para isso, a SEC poderia continuar investindo sim nos Bois de Parintins, no Festival de ópera e em tantos eventos, mas não olvidando o Carnaval das Escolas de Samba de Manaus, igualmente importantes na Economia da Cultura.
PS: Este texto faz parte da Monografia de minha graduação como Bacharel de Economia na UFAM, na década passada.
É pura verdade meu caro Daniel. Os movimentos culturais de nosso Estado, são um tanto diversificados. Temos os bois bumbás, o carnaval, a ciranda e tantos outros. Em cada municipio há um movimento cultural. Ocorre que o orçamento da Secretaria de Estado da Cultura já consome parte consideraval da arrecadação estatal. Seria promissor, portanto, que esses movimentos se autogerissem – em arrecadação e administração, e não ficarem sempre a mercê da ajuda estatal. Existem formas para isso. Vejam-se, por exemplo, os grandes clubes esportivos.
Um abraço do amigo, contemporâneo e egresso do curso de economia da UFAM.