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Economia criativa nas escolas de samba de Manaus, um estudo de caso (parte I)

Daniel Sales Daniel Sales*

O Governo do Estado, a partir de 1986 investiu na gravação dos Discos das Escolas de Samba, que até então, eram produzidos per si (escolas). O nome da produção era: “Projeto Cante o nosso carnaval”, que durou até 1989. Neste mesmo ano foi criada a Liga das Escolas de Samba de Manaus (LIESM), de vida efêmera. Como em 1991 não houve desfiles, foi criada a Associação das Escolas de Samba do Grupo Especial de Manaus (AGEESMA), com quatro agremiações associadas: Aparecida, Vitória Régia, Sem Compromisso e Reino Unido da Liberdade. Esta nova associação, de certa maneira, elitizou o desfile, com apenas quatro agremiações. Esperava-se, portanto, que as verbas estatais fluíssem agora, em maior quantidade per capita, dado o menor número de escolas de samba, então.

Essa cisão (já que a LIESM continuava a existir) fez com que em 1992, houvesse a criação da G.R.E.S. Unidos da Liga, que se compunha de sete escolas remanescentes, que desfilou sem concorrer com as demais (da AGEESMA) naquele carnaval. Em 1993 a LIESM foi extinta e foi criada dois anos depois a União Cultural do Grupo de Acesso das Escolas de Samba de Manaus, formada por Mocidade de Ipixuna, Presidente Vargas, Mocidade do Coroado e Andanças de Ciganos (que adentrou somente em 1998), além da passagem lépida da Unidos do Alvorada (1997/1998) por este grupo. As verbas a este grupo de Acesso em relação ao Grupo Especial era uma relação seis para um.

Em 1999 o Governador Amazonino Mendes não liberou recursos às Escolas de Samba, que mais uma vez se viram em dificuldades para desfilar. As atividades de barracão iniciaram tardiamente e em menos de 20 dias os trabalhos foram completados, só que fora acordado pela AGEESMA que as escolas só desfilariam com um carro alegórico e com um menor número de brincantes, como se fossem escolas do Grupo de Acesso.

Quem supriu os recursos financeiros às entidades carnavalescas foi a RCC (Rede Calderaro de Comunicação), que, fechando acordo para a transmissão dos desfiles (que até então eram feitos pela Rede Amazônica de Rádio e Televisão, TV Cultura e TV Rio Negro), por um prazo de seis anos, destinou dinheiro a cada uma das oito escolas do Grupo Especial. Quase que não houve desfile nesse ano, já que os valores financeiros saíram 20 dias antes dos desfiles e eram bem menores que os dados pelo Governo. Um ano antes (1998), cada escola do Grupo Especial recebia cerca de R$ 120mil do Governo, segundo o Jornal A Crítica (1998). Em 1999, esse valor, investido pela RCC não ultrapassava aos R$ 30 mil para cada agremiação. Uma queda de 75% nos recursos. Neste ano, por exemplo, a G.R.E.S. Reino Unido da Liberdade utilizou o mesmo galpão da G.R.E.S. Sem Compromisso, aonde hoje se localiza o Parque dos Bilhares.

A venda das imagens das escolas de samba de Manaus à RCC durou até 2006. Em 2007 a AGEESMA fechou contrato com a TV Rio Negro, repetidora da Rede Bandeirantes de São Paulo. Este contrato persistiu até 2009 e, segundo João Mota, diretor financeiro da G.R.E.S. Reino Unido da Liberdade, à época, o valor do direito de arena em 2009 era de R$ 500 mil.

A logística do Sambódromo para os seis dias de evento (já que inicia na quinta e na segunda e terça há o Carnaboi) vem desde 2003, sendo feito com a empresa Ativa eventos, uma entidade particular. Há todo o processo de instalação de som, limpeza do Sambódromo, fiscais, seguranças e credenciamento do pessoal de Imprensa. Os ganhos das escolas de samba advêm do governo (nas duas esferas: estadual e municipal) e de parte do lucro da venda de bebidas nos dias do evento, além dos direitos de Arena, pagos pela TV.

Na quinta-feira desfilam as escolas do 3º Grupo, na sexta-feira, as escolas do grupo de acesso e no sábado as do Grupo Especial, quando o Sambódromo atinge seu maior público – cerca de 100 mil pessoas.

* Daniel Sales é pesquisador cultural.

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2 respostas para “Economia criativa nas escolas de samba de Manaus, um estudo de caso (parte I)”

  1. Cleomir Santos disse:

    É preciso maior empenho e organização das escolas de samba de Manaus em todos os grupos, na verdade a única que ate agora começou seu trabalho bem cedo desde agosto foi a Mocidade Independente de Aparecida, muito embora a Reino Unido realiza seu pagode durante o ano inteiro porem todas tem de se profissionalizar mais e abrir suas quadras para os eventos, festas enfim, pena que ainda ensaiam na frente e na rua.

  2. Sales disse:

    É isso aí, Cleomir!

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