Somente a partir de 1976 é que realmente o carnaval de rua de Manaus mostrava-se mais profissional (pela ótica atual).
É claro que tudo era muito mais difícil: as verbas do governo eram muito pequenas; faltava infraestrutura para os desfiles – não havia ainda arquibancadas decente para o público – somente as cordas azuis, de nylon, para delimitar a assistência dos brincantes –, o som era terrível: de baixa qualidade, mesmo com as maiores indústrias de eletroeletrônicos, já instaladas em Manaus.
Para se ter uma ilustração maior desse aspecto, um determinado setor do público só ouvia o “puxador” (hoje, chamado de “intérprete”) cantar, quando o carro de som (que hoje só é utilizado como “retorno” para os cantores) passava em frente à dada parte da plateia presente. Quando o bólido chegava a uns 50 metros depois, nada ou parco entendimento claro do que se cantava para aquele trecho. E assim por diante.
Então, era preciso que as alas das agremiações cantassem com um entusiasmo a mais o samba – que nem era muito divulgado naqueles tempos, porque nem gravado em mídia alguma era, tudo mais difícil – para também se entender a mensagem do enredo.
Na verdade, poucos cantavam o samba (somente os que iam às quadras).
Era muito comum a escola “atravessar” o samba; como o som possui a velocidade (em condições normais) de aproximadamente 340 metros/segundo, com o passar de alguns metros, o pessoal de trás cantava atrasado do que se cantava nas alas da frente da Escola e daí, até chegar ao final, tudo estava caoticamente sonorizado – uma confusão! Mas esse problema também havia no Rio de Janeiro por muito tempo.
O som só veio a melhorar substancialmente, no final dos anos 1980 do Séc. XX.
No tocante à TV. Quando se ouvia, por exemplo, nas transmissões das emissoras locais, o samba de enredo, somente se dava para notar o intérprete e o cavaco. Cadê a bateria? – Isso perdurou ainda em 1992!
Foram longos anos para se chegar, em termos de transmissões, ao considerável, razoável. As desculpas eram das mais diversas, sem contar que até hoje, não há grua para se filmar os desfiles, de um ângulo de frente das escolas. Quando há a tomada frontal, pela câmara, essa se dá do próprio chão, em um plano bem baixo, ou, no máximo, tangenciando-se com o cinegrafista situado em uma das pontas da ferradura do atual Sambódromo.
O som melhorou, deveras, mais ainda falta aquele conjunto harmônico sonoro, que se ouve, por exemplo, nas transmissões realizadas pela Rede Globo de Televisão, nos desfiles do Rio e de São Paulo.
Se, com todos esses problemas, o desfile de Manaus ainda é grandioso, imagine-se então, como seria se houvesse uma melhoria de qualidade técnica total nas transmissões?!?
Já vi desfile da Império Serrano, por exemplo, transmitido por outra emissora de TV (Band) – apenas como matéria jornalística–, que estava bem longe (em termos qualitativos), do que era mostrado pela Globo.
Isso prova o quão é importante uma melhor qualidade sonora e de imagem em geral, a dimensionar o espetáculo. Uma excelente engenharia de som urge em nosso carnaval.
Por outro lado, não é fácil lutar com a ajuda de poucos patrocinadores para se ter uma melhor qualidade. Mas quem também perde são alguns empresários patrocinadores que não acreditam no sucesso do carnaval local. Com isso, deixam de obter mais lucros reais, às vezes por conformismo ou então por medo em arriscar (o não empreendedorismo).
Então o desconto crítico por causa de uma melhor qualidade tem que ser dado, nesse caso, visto que é difícil se trabalhar com recursos poucos, tirando-se “leite de pedra” e quem sabe um dia, com mais investimento, se poderá, enfim, ter-se uma qualidade total nas transmissões (que depois, é claro, terá que ser remanejada para cima), pelo menos, por enquanto.
Com certeza, como disse, mais críticas virão, pois a perfeição não existe, sempre se está na sua busca.
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